quinta-feira, 7 de setembro de 2017

«Faz-te ao largo; e vós, lançai as redes para a pesca.»

Durante a Missa de hoje, ao ouvir o Evangelho, aconteceu-me o que estou certo vos virá a acontecer depois da experiência de Peregrinar na Terra Santa.

Visitaremos este Lugar, bem determinado no texto de S. Lucas: o Lago de Genesaré, um dos nomes porque é conhecido o Lago de Tiberíades ou Mar da Galileia.

Ali faremos memória deste e de outros episódios da vida de Jesus. Seremos como "figurantes" de um filme conhecido, integrados num cenário real.

Não se vão esquecer, nunca mais.



Tempo Comum – XXII Semana – Quinta-feira
7 Setembro 2017





Evangelho: Lucas 5, 1-11

Naquele tempo,
encontrando-se junto do lago de Genesaré,
e comprimindo-se à volta dele a multidão
para escutar a palavra de Deus,
Jesus viu dois barcos que se encontravam junto do lago.
Os pescadores tinham descido deles e lavavam as redes.
Entrou num dos barcos, que era de Simão,
pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra e,
sentando-se, dali se pôs a ensinar a multidão.
Quando acabou de falar, disse a Simão:
«Faz-te ao largo; e vós, lançai as redes para a pesca.»
Simão respondeu:
«Mestre, trabalhámos durante toda a noite
e nada apanhámos; mas, porque Tu o dizes, lançarei as redes.»
Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixe.
As redes estavam a romper-se,
e eles fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco,
para que os viessem ajudar.
Vieram e encheram os dois barcos,
a ponto de se irem afundando.
Ao ver isto, Simão caiu aos pés de Jesus, dizendo:
«Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.»
Ele e todos os que com ele estavam
encheram-se de espanto por causa da pesca que tinham feito;
o mesmo acontecera a Tiago e a João,
filhos de Zebedeu e companheiros de Simão.
Jesus disse a Simão:
«Não tenhas receio; de futuro, serás pescador de homens.»
E, depois de terem reconduzido os barcos para terra,
deixaram tudo e seguiram Jesus


COMENTÁRIO
Lucas realça o modo como a multidão escutava «a palavra de Deus». Deste modo, remete-nos para a comunidade eclesial que vive a sua fé colocando no centro de si mesma «a palavra de Deus» e, ao mesmo tempo, Jesus como Palavra da revelação e a pregação apostólica. Lucas também realça que Jesus, «sentando se, dali se pôs a ensinar a multidão». Também este pormenor nos leva a considerar a narração evangélica como intimamente ligada à vida da primitiva comunidade cristã, em que a passagem da evangelização à catequese era normal e permanente.

«Porque Tu o dizes, lançarei as redes»: Lucas sublinha a autoridade da palavra de Jesus. Sabemos que toda a palavra que saía da boca de Jesus, para os Apóstolos ou para a multidão, estava carregada de especial autoridade: «Que palavra é esta? Ordena com autoridade e poder aos espíritos malignos, e eles saem!» (4, 36).

«Depois de terem reconduzido as barcas para terra, deixaram tudo e seguiram-no». Esta expressão alerta para o radicalismo evangélico. Lucas quer indicar que o seguimento de Jesus implica, não só uma opção pessoal, mas também a decisão de se desapegar de tudo aquilo que, de algum modo, possa enfraquecer a adesão a Jesus.


MEDITAÇÃO
Pedro já se tinha encontrado com Jesus. Mas o episódio da pesca milagrosa marca um novo começo, um novo tipo de relação com o Senhor: «Não tenhas receio; de futuro, serás pescador de homens» (v. 10). Quando o homem vacila nas suas convicções mais firmes, fica criada a ocasião para a conversão. No espaço deixado livre pelo homem, no calar a própria experiência, sempre limitada, Deus pode agir, o seu poder pode manifestar-se. E tudo muda, inclusivamente dentro de nós e na nossa relação com Ele.

Na extraordinária pesca, depois de uma noite de trabalho inútil, Pedro reconheceu os seus limites, e reconheceu, sobretudo, o poder divino de Jesus. Por isso, se rendeu e ajoelhou diante de Deus: «Ao ver isto, Simão caiu aos pés de Jesus» (v. 8). Tendo dado espaço ao Senhor, Ele invadiu a sua vida: «de futuro, serás pescador de homens» (v. 10b).

E Pedro viveu uma verdadeira conversão, realizou um pequeno êxodo, que encheu de significado as suas acções habituais. «Serás pescador de homens»: Pedro e os companheiros são chamados a partir exactamente da situação onde se encontravam, da sua experiência de homens do mar, que, de futuro, olharão com olhos novos, com olhos iluminados pela fé no Senhor Jesus.

A noite de trabalho inútil, transformou-se no dia da abundância de Deus, em que podem saborear os bens que Ele nos preparou desde toda a eternidade. Permanecer pescadores, por outro lado, quer dizer continuar a própria experiência no espaço e no tempo, na cultura e na sociedade a que pertencemos, incarnando nela a Palavra que salva.

Para o cristão, cada dia há-de ser um novo começo, a partir da Palavra do Senhor, acolhida num coração disponível. Por isso, não há monotonia, não há repetição. Há sempre a novidade da Palavra de Deus, que nos oferece uma pequena luz para cada dia, que nos dá força e coragem para recomeçar. Apoiados nela, o nosso dia será frutuoso para nós e, misteriosamente, para todo o mundo.
Os Apóstolos, à palavra de Jesus, lançaram as redes, «e apanharam uma grande quantidade de peixe» (v. 6).

Vivamos cada dia com esta atitude, e o nosso trabalho será tornado fecundo pelo poder da Palavra do Senhor.


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O Conflito Israelo-Árabe 14, 15, 16 e 17

Hamas foi fundado em 1987 numa altura em que o fundamentalismo islâmico ganhava rapidamente terreno em todo o Médio Oriente. A sua criação esteve ligada à Irmandade Muçulmana do Egipto, um dos grupos fundamentalistas mais fortes e mais antigo do mundo. A fundação do Hamas explorou igualmente o ambiente de extrema tensão e violência que caracterizou a primeira Intifada.



O programa inicial do Hamas era o estabelecimento de um estado islâmico nos territórios hoje ocupados por Israel, pela Faixa de Gaza e pela Cisjordânia. Mais recentemente dirigentes do Hamas fizeram referência a um estado circunscrito às fronteiras anteriores a 1967, mas sem o reconhecimento do Estado de Israel.

A carta de princípios do Hamas apresenta a luta contra Israel como parte da luta irreconciliável entre judeus e muçulmanos, contendo muitas expressão que não são apenas anti-sionistas, são anti-semitas. A organização também nega os factos históricos do Holocausto, que declara ser apenas uma criação da propaganda sionista.

Hamas possui um braço armado, as brigadas Izz ad-Din al-Qassam, que continuam a recorrer ao terrorismo como forma de combaterem Israel. O recurso a atentados suicidas e o disparo indiscriminado de rockets direccionados zonas habitadas apenas por civis têm sido os seus métodos de combate preferidos.


A principal base do Hamas é na Faixa de Gaza, onde goza de apoio maioritário. Em 2006 o Hamas conseguiu mesmo vencer as eleições parlamentares palestinianas, mas depois não conseguiu chegar a um entendimento com a Fatah para a partilha do poder, o que levou a uma breve guerra civil – a Batalha de Gaza – que terminou com o Hamas a tomar conta daquela parcela de território e a expulsar de lá a Fatah.


As Intifadas foram revoltas que começaram de forma semi-espontânea e corresponderam a uma fase nova do conflito.

De 1948 a 1973, isto é, da Guerra da Independência à Guerra do Yom Kippur, Israel teve sobretudo que travar guerras convencionais, em que exércitos bem armados se enfrentaram nos campos de batalha, sendo que a vida quotidiana era constantemente pontuada pelos ataques dos fedayeen, nomedamente a partir de Gaza, do Egipto e da Jordânia, e pelas contra-respostas israelitas.

A partir de 1967 e da ocupação dos territórios, o terrorismo tornou-se a maior ameaça. Mas ninguém verdadeiramente foi capaz de prever o que se passou a partir de 1987, quando começou a primeira Intifada, a “revolta das pedras”. Entre Dezembro desse ano e Setembro de 1993, quando foram assinados os acordos de Oslo, a população palestiniana fustigou de forma permanente as forças de segurança e os militares de Israel. Tudo servia: pedras, coktails molotov, greves, manifestações, protestos, grafitti, boicotes, desobediência civil e por aí adiante.

A primeira Intifada foi desencadeada por um incidente banal: a colisão entre um camião do exército israelita e uma viatura palestiniana de que resultaram vários mortos. A informação de que o acidente fora deliberadamente provocado incendiou os ânimos e foi o rastilho da revolta. Esta espalhou-se rapidamente, mobilizou grande parte da sociedade palestiniana e, esmo sem ter uma liderança formal, foi muito influenciada por líderes civis que defendiam uma abordagem sem a violência que caracterizara os combates dos fedayeen e sem recurso ao terror.

Esta revolta, que Israel encarou num primeiro momento como devendo ser quebrada, acabou por provocar uma inflexão de políticas, mostrando que era mesmo necessário encontrar uma solução de auto-governo para a Faixa de Gaza e para a Cisjordânia, assim abrindo caminho aos acordos de Oslo.

A segunda Intifada, também conhecida como a Intifada de Al-Aqsa, iniciou-se em Setembro de 2000, depois de Ariel Sharon, então líder da oposição, ter realizado uma visita ao Monte do Templo, visita que foi interpretada como sendo uma provocação. Esta revolta palestiniana surgiu dois meses depois do falhanço da negociação de um acordo de paz definitivo numa nova cimeira em Camp David, um falhanço cuja responsabilidade foi genericamente atribuída à parte palestiniana.

Os primeiros dias da Segunda Intifada caracterizaram-se por numerosos confrontos entre manifestantes palestinianos e a polícia israelita, mas a violência escalou de nível depois de a população de Ramallah ter linchado dois reservistas israelitas que estavam detidos numa esquadra de polícia.


Os Acordos de Oslo previam uma retirada gradual de Israel da Faixa de Gaza e da Cisjordânia e a transferência gradual da soberania para a Autoridade Palestiniana. Num prazo de cinco anos esperava-se que as duas partes chegassem a um acordo de paz definitivo. Mas quase nada correu como estava previsto, sendo que ambas as partes culpam a outra pelo que correu mal.


Neste processo os palestinianos esperavam receber os seus territórios de volta e os israelitas viverem em paz e segurança. Ora nos cinco anos que se seguiram aos acordos o número de vítimas da violência não diminuiu: morreram 405 palestinianos e 256 israelitas, sendo que no caso dos israelitas esse valor ultrapassou largamente o número de mortes registado nos 15 anos anteriores, que incluíram os seis anos de primeira Intifada.

Politicamente, do lado de Israel, a evolução também não foi positiva, pois Rabin, que havia negociado Oslo, foi assassinado por um extremista judeu em 1995.

No final da década, sob mediação de Bill Clinton, houve um novo esforço para se chegar a acordo. Ehud Barak, o primeiro-ministro israelita de então, disponibilizou a Yasser Arafat, durante uma cimeira realizada em Camp David, um acordo que muitos viram como irrecusável. Mas Arafat recusou e, passados apenas dois meses, a região estava de novo mergulhada na violência da segunda Intifada. A bloquear o acordo esteve o estatuto de Jerusalém, a delicada questão da gestão do Monte do Templo/Esplanada das Mesquitas e o tema terrivelmente difícil do “direito de retorno”.

Ehud Barak
De então para cá pouco se tem avançado no processo de paz. Os últimos anos de vida de Arafat (morreu em 2004) foram de profunda desconfiança entre as duas partes. Como Ariel Sharon e Abbas houve avanços – Israel saiu unilateralmente de Gaza, houve acordo entre ambos para terminar a segunda Intifada – mas depois veio o conflito entre o Hamas e a Fatah, com a divisão da zona controlada pela Autoridade Palestiniana em duas metades rivais.


Entretanto Israel construiu uma extensa barreira de protecção que os palestinianos designam por “muro”. Na prática foi uma medida que quase acabou com ataques suicidas no interior de Israel.


Israel é um país de pouco mais de oito milhões de habitantes, sendo que três quartos da população (75%) é constituída por judeus. A população árabe corresponde a cerca de 20% do total.


Entre os judeus, sensivelmente metade são sefarditas (judeus oriundos da peninsula ibérica “histórica” e do Norte de África) e a outra metade ashkenazi (judeus da Europa Central e Oriental). Um sexto da população judaica tem as suas raízes na antiga URSS.


A esmagadora maioria dos árabes são muçulmanos, mas há uma pequena minoria de cristãos. Os árabes israelitas vivem sobretudo na Galileia, no norte do país, uma região onde se situa, por exemplo, a cidade de Nazareth, uma cidade que é habitualmente descrita como a capital árabe de Israel.


Entre os judeus tem vindo a aumentar a proporção dos judeus ortodoxos, pois as famílias que seguem as suas diferentes obediências têm tendência a terem mais filhos. Pela mesma razão tem vindo a aumentar a proporção da população árabe-israelita.

O essencial para entender 
o conflito israelo-palestiniano
José Manuel Fernandes
Observador – 14 de Julho de 2014

sábado, 2 de setembro de 2017

Um acordo à vista entre a Santa Sé e Israel



Num comunicado conjunto da Santa Sé e Israel, datado de 13 de Junho, mas divulgado há poucos dias pelo Vaticano, fala-se sobre uma possível e rápida conclusão das negociações e na assinatura do acordo que regulará as questões financeiras e os direitos de propriedade da Igreja Católica em Israel.

No final da sessão plenária da Comissão Bilateral Permanente de Trabalho entre a Santa Sé e o Estado de Israel ficou evidente a satisfação face aos progressos alcançados. A reunião foi co-presidida por Mons. Antonio Camilleri, na qualidade de Sub-Secretário para as Relações com os Estados e pelo ministro israelita de cooperação regional, Tzachi Hanegbi.

Um longo caminho foi percorrido para chegar até aqui. Para entender melhor, é preciso lembrar que o que está a ser negociado já estava previsto pelo - Acordo fundamental - assinado entre as duas partes em 30 de dezembro de 1993, um quarto de século atrás.

As negociações (intermináveis) da comissão bilateral foram lançadas de facto em 1999; interrompidas em 2014 e retomadas em Janeiro deste ano. Dizem respeito ao reconhecimento dos direitos jurídicos e patrimoniais das instituições católicas e questões que envolvem as isenções fiscais das quais a Igreja já era beneficiária antes da criação do Estado de Israel em 1948 (como, por exemplo, o tema do pagamento - ou não - dos impostos sobre a propriedade imóvel eclesiástica, mas também o regime fiscal a ser aplicado às casas de acolhimento de peregrinos e subsídios que podem beneficiar escolas e hospitais). Um dos pontos mais emblemáticos, certamente, é o que envolve o Cenáculo.

A Igreja - e, em particular, a Custódia da Terra Santa - ainda tem em mãos os documentos que atestam a sua propriedade histórica, mas a geopolítica destes últimos 70 anos tem complicado o conteúdo das reivindicações de uns e de outros. Pela sua parte, a Igreja tem mostrado a sua boa vontade, declarando-se pronta para discutir os direitos de uso em vez de continuar a reinvindicar a propriedade.

O acordo bilateral que pode ser assinado em breve entre a Santa Sé e Israel segue um acordo semelhante alcançado em junho de 2015 entre a Santa Sé e o Estado Palestino. Um acordo que consagra a liberdade de ação da Igreja na Palestina e alcança questões como, a jurisdição eclesiástica, lugares de culto, actividades sociais, os meios de comunicação social, as questões fiscais e os direitos de propriedade. O acordo entrou em vigor em 2 de Janeiro de 2016.

A actual fase de negociações entre o Estado Judeu e a Sé de Pedro, coincide com um momento em que, em Jerusalém, há rumores de uma nova peregrinação do Papa Francisco  à Terra Santa. Há um outro elemento a considerar: Israel visa alcançar um lugar como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas no biénio 2019-2020. Um objetivo difícil de ser alcançado pelo Estado judaico, considerando que para entrar, é preciso obter dois terços do consenso da ONU na Assembleia Geral e que esta provavelmente não poderá contar com votos de nações árabes. A assinatura de um acordo com a Santa Sé poderia talvez influenciar positivamente os países predominantemente católicos da América Latina e África.

Uma última palavra: nesta longa negociação bilateral não é a primeira vez que lemos tons positivos em um comunicado da Comissão; assim, a prudência é obrigatória.

de Christophe Lafontaine |  15 de Junho de 2017

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Jerusalém, inscrição bizantina encontrada na Porta de Damasco



David Gellman, Autoridade em Antiguidades de Israel, posando ao lado do mosaico bizantino descoberto.
(Foto Nadim Asfour/CTS)

Uma antiga inscrição em grego foi encontrada praticamente intacta em Jerusalém, perto da Porta de Damasco. A descoberta  que tem entusiasmado os estudiosos ocorreu no início do verão, mas foi anunciada à imprensa em 23 de agosto. "Estávamos prestes a finalizar a escavação, quando de repente um canto de inscrição do mosaico veio a luz", disse David Gellman, Autoridade em Antiguidades de Israel. Os trabalhos previam apenas a colocação de cabos subterrâneos no Portão de Damasco, na Cidade Velha de Jerusalém, mas depois da escavação, veio à tona algo completamente inesperado.

A inscrição foi encontrada em um pavimento de mosaico e remonta a 1.500 anos, talvez tenha sido parte de uma espécie de albergue para peregrinos. "A Porta de Damasco foi usada por centenas de anos como a principal entrada norte de Jerusalém - disse Gellman -. No período bizantino, com o surgimento do cristianismo, igrejas, mosteiros e albergues de peregrinos foram construídos na zona norte da porta e a área se tornou uma das áreas mais importantes e ativas da cidade ".

De acordo com a interpretação da Dra. Leah Di Segni, especialista em antigas inscrições gregas na Universidade Hebraica de Jerusalém, o texto da inscrição diz:

"Na época do nosso muito piedoso imperador Flávio Justiniano, Constantino, sacerdote amado, ergueu e fundou também este edifício inteiro no ano da XIV indizione». 

Por «Indizione» naquela época entendia-se o período de um ano,  em relação aos quinze usados como um meio para datar os eventos e transações no Império Romano.

Na inscrição vem, assim, mencionado o imperador Justiniano, um dos mais importantes governantes do período bizantino; durante o seu governo (527-565) foi concluida a conversão ao cristianismo do Império Romano. No ano 543, foi o mesmo Justiniano quem decidiu construir uma grande igreja dedicada a Maria, cujo sacerdote era o monge Constantino. Os restos daquela igreja, conhecida como a igreja de Nea, foram encontrados na década de setenta do século passado pelo arqueólogo Nahman Avigad, no antigo bairro judeu da Cidade Velha.

Um aspecto particularmente interessante sobre a inscrição recentemente descoberta é que "é semelhante a um registo da Igreja de Nea, atualmente em exposição no Museu de Israel", disse Di Segni. "As mesmas duas pessoas são mencionadas na inscrição: O imperador Justiniano e o sacerdote Constantino - continuou o estudioso -. Este novo registro de certo modo ajuda-nos a entender os projetos de construção de Justiniano em Jerusalém, em particular a Igreja de Nea". Com base nas fontes históricas, os arqueólogos sustentam que a datação do achado no centro da descoberta pode ser colocada no ano 550-551.

A inscrição encontrada perto do Portão de Damasco foi removida por especialistas em conservação de antiguidades da autoridade israelense para ser analisada em um laboratório de mosaicos.

"O facto de que a inscrição tenha chegado até nós é um milagre arqueológico - comentou o diretor entusiasta de escavações David Gellman -. Todo arqueólogo sonha encontrar uma inscrição nas suas escavações, especialmente uma tão bem preservada e quase intacta."

de Beatrice Guarrera |  29 de Agosto de 2017

(in, www.terrasanta.net)